8.6.09

Vai uma amizade virtual aí? Custa somente o seu tempo!!!


Desde que a internet virou uma fábrica de encontros, a paquera ao vivo tornou-se um comportamento ameaçado de extinção. Mas não há teclado ou webcam que substitua o calor de um sorriso ou de uma abordagem espontânea, feita na hora certa, do jeito certo.

Este tema tem produzido uma crescente manifestação de idéias da parte de especialistas da área de psicologia social e por conseqüência acirrado os debates a respeito daquilo que se torna produto de uma nova forma de interação entre as pessoas. Há críticas diversas sobre o comportamento humano produzido dentro do espaço virtual.

Algumas abordagens enaltecem a contribuição da rede mundial, no sentido de oportunizar a certos indivíduos a condição de relacionamentos antes impossíveis. Outras que tentam de forma científica mostrar que opções próprias deste âmbito são nocivas por causarem transformações inaceitáveis no comportamento, especialmente quando voltados para o sexo.

Não tenho aqui a intenção de filosofar sobre qualquer questão pertinente a este aspecto da inteligência e da capacidade criadora do homem, nem tampouco tentar definir o que seja prático ou não, nem mesmo opinar sobre certas definições e justificativas de atitudes típicas da virtualidade.
Avaliar situações, tentando estabelecer uma conclusão sobre o que é certo ou errado, menos ainda. Embarco nesta carona apenas para relembrar algo que é simples demais para se conseguir criar uma polêmica séria.

A amizade virtual, independente do sexo das pessoas, quando elevada ao estágio da realidade pelo conhecimento pessoal, a exemplo do envolvimento iniciado por uma via real, apresenta as mesmas possibilidades de amor e desacato e rompimento. O que pode ser uma dádiva tem a mesma possibilidade de se tornar um problema, mas com um agravante: a sua tentativa de solução via de regra retoma o caminho original da virtualidade.

Resultam daí fofocas movidas a bytes, tornando a rede um palco também de novas intrigas ou uma espécie de lavanderia em banda larga. Tudo me parece algo muito próximo de uma rotina comum da própria realidade, porém com o diferencial de ser produzido sem a necessidade de mostrar a cara.

A falsidade, a mentira e a fuga se misturam de forma tão trágica quanto o mais real que possa existir nas relações nascidas pelas vias até agora chamadas normais. Isto só prova que a virtualidade não resolve o problema do descaramento humano. Compreendendo não se tratar de regra geral, até porque há pessoas maravilhosas e bem intencionadas neste habitat, não há dúvida que atrás de uma tela o indivíduo veste mais facilmente a roupa do seu personagem favorito. E sempre será um personagem perfeitamente identificado com seu legítimo intérprete. Daí a se pensar que independente da condição real ou virtual, as pessoas, por mais que tentem seduzir alguém do contrário, serão o que sempre foram. Para o bem ou para o mal.

O virtual nunca esteve tão parecido com o que se pode ver nos caminhos da vida comum. É tudo uma questão de tempo para se perceber - um tempo que nada tem a ver com carne e osso, com a fotografia mental, com imagens trocadas ou a reprodução de qualquer câmera, mas sim com aquilo que nos define na medida do próprio caráter.

Porém, tem um texto da publicitária e blogueira Fernanda Guimarães, que particularmente, define muito o que tenho a dizer sobre as mentiras, artimanhas e prós e contras do mundo virtual.

Já não é mais tempo de “quer tc?” ou “tc de onde?”, e sim de “posso te add?” e muitas vezes do já decidido “ti add, ok?”

Por Fernanda Guimarães.

Arrumar uma namorada, ou namorado, pela Internet, hoje, lembra muito a impessoalidade dos chats de antigamente. Mas na era do Tudo 2.0, existem alguns truques que minimizam erros e evitam constrangimentos. Nas salas de bate-papo, ninguém era de ninguém e todo mundo podia ser qualquer um. Atualmente, a tal “Internet participativa” e as redes sociais são quase como filtros para selecionar os alvos por gênero, hábitos e círculo social.
Para quem sempre sonhou com um banco de dados de todas as possíveis pretendentes da cidade, no qual se pudesse digitar algo como: procuro loira, de olhos cor de mel, fã de pop rock, com inglês fluente, que goste de cachorros da raça Schnauzer, saiba cozinhar e leia ficção científica, o dia chegou.

Em sites 2.0 como o Orkut, fenômeno nacional, por exemplo, as comunidades podem facilmente exercer esse papel. Talvez não tragam a agilidade que esse sonho inspira, é preciso um pouco mais de paciência com as ferramentas de busca, mas o resultado pode, sim, ser o mesmo. Uma comunidade como “orgulho loiro – oficial” já restringe sua busca a pouco mais de 25 mil pessoas on-line. Se quiser começar pelo Schnauzer, então, só 11 mil. E todas as pretendentes com fotos, referências básicas, vídeos, profissão e até o que há no quarto de cada uma delas. Se levado a sério, o Orkut pode saber mais sobre você que sua mãe.

Mas nem só de sucesso vive a Internet. As pessoas mentem, como mentiam nos chats, mentem na vida real e mentirão sempre que acharem conveniente. Colocam fotos de pessoas mais bonitas que elas, capricham no diretor de cinema de que se dizem fãs, enchem o perfil de elogios a si e tentam se vender on-line como os melhores partidos da cidade. Pode parecer injusto, mas, se a regra vale para todos, basta usar um pouco de estratégia.

Li, uma vez, uma crônica que dizia que se Crime e Castigo, de Dostoiévski, fosse mesmo o preferido de todos, como se constata pelo Orkut, deveria ao menos estar na lista dos mais vendidos. As pessoas tapeiam, a gente sabe.

Agora, mudando um pouco do Orkut para o Myspace, por exemplo, conseguimos segmentar alguns pontos que não são apenas a cor do cabelo e a raça preferida do cachorro. O Myspace tornou-se um fenômeno nos EUA e já tem mais de 110 milhões de usuários. Se o seu interesse for paquerar, dá para notar que opções não faltam, embora a maior parte das pessoas esteja a uma passagem aérea de distância de você.

Uma diferença entre as pessoas que utilizam o Orkut e o Myspace é que, no segundo caso, as ferramentas são mais livres. O layout de sua página, por exemplo, pode ter a cara que você imaginar em termos de disposição, elementos, desenhos, música etc. Se pensado de maneira estratégica, pode ser uma ótima forma de diferenciar a pessoa que tem qualquer senso de organização de uma que deixa a vida dela uma bagunça. Conta pontos na hora de escolher alguém para manter um relacionamento estável. É possível, também, saber o estilo de música que a pessoa ouve com mais precisão, escutar um pouco do som se ainda não conhecer e, mais que tudo, saber se a pessoa é um pouquinho mais ousada a ponto de escolher outra opção para o Orkut, no caso de um brasileiro.

Agora, além de ousada, a pessoa pode ser moderna, atualizada e adorar novidades. Nesse caso, comece a buscar diretamente pelo Facebook, esse que veio depois, mas resolveu muitos dos problemas que as redes já citadas enfrentavam (a ponto de começarem a imitá-lo). É uma rede social, mas que dá a opção de incluir aplicações variadas em seu profile. Você pode desde só trocar mensagens, como um dia promover uma guerra de batatas fritas. Bem maluco, assim, mesmo.

A privacidade é maior, as buscas mais simples e inteligentes, as ferramentas livres, porém mais organizadas, ideal para quem não vive só de bobeira, spam e não tem paciência para figuras que piscam na tela o tempo todo. Facilita, ainda, a busca por pessoas que estudaram com você em anos remotos, que pode ser uma ótima aliada, principalmente se você tiver dado um upgrade nos últimos anos.

O único problema é que, no meio dessa privacidade toda, fica um pouco mais difícil saber detalhes sobre o seu pretendente. Antes disso, você tem de adicioná-lo e admitir seu interesse. As fotos são liberadas somente após o “sim” do outro usuário e, muitas vezes, pode ser tarde demais. Vai que ele se interessa e você percebe que foi um engano… Dependendo do risco, é melhor evitar.

Aliás, não é só nas ferramentas comuns que o Facebook sai na frente, na paquera também. Pensando em seres carentes como todos nós, ele dá a possibilidade de mandar presentes românticos on-line, como flores, chocolates e corações de toda a sorte. Não dá para comer o chocolate e nem cheirar as flores, mas são presentes grátis, que encobrem uma despretensão bem parceira.

Você pode, também, ranquear seus “amigos” em níveis de “paqueridade”, beleza, simpatia e outros mais. Para quem se lança nesses pódios, pode ser o equivalente àquela tradicional frase “tenho uma amiga muito incrível para te apresentar”. Você fica lá, com sua foto estampada como “a última bolacha do pacote”.

Existe a opção do Twitter. É um servidor para microblogging, ou mesmo uma rede social mais sucinta. Ele permite que você atualize seu perfil a todo o momento com a seguinte informação “o que estou fazendo agora”. E por sucinto eu digo sucinto, mesmo, sua chance de se expressar tem somente 140 caracteres, no máximo. Conforme você adiciona perfis de quem deseja seguir os passos, vai recebendo as atualizações de cada um. E quem estiver interessado, também recebe as suas. Mas o Twitter na paquera não me parece uma boa, pensa bem. Se ficar controlando a vida do outro já não é historicamente uma coisa boa nos relacionamentos, dá para ter uma idéia do problema. Menos pode ser mais.

Sei de muitas pessoas que conheceram o parceiro nas redes sociais e até se casaram. É maravilhoso, ainda mais para compensar a quantidade de casais que se separaram por causa delas. Essa história de ler os scraps um do outro pode ser traiçoeira. Já acabou com muitos relacionamentos e fez inúmeros usuários abandonarem a rede. Um singelo “saudade de você, querido” de uma amiga de infância para o seu namorado pode ser realmente desafiador, se a confiança não for o forte da relação. Muito cuidado, muito cuidado.

Outro caso muito comum é da pessoa que coloca poucas fotos e somente de seus melhores ângulos. O interessado entra lá, vê feições encantadoras, dados atraentes, os dois trocam algumas mensagens e a idéia de um encontro real não parece mais tanta loucura. Marcam em algum restaurante perto de ambos e na hora em que os olhos se encontram, dá até para escrever uma novela com a quantidade de pensamentos que passam ali: “Ué, mas ela não era magra e charmosa?”, “Nossa, mas o que é este nariz? Nunca tinha visto ela de perfil”, “Como faço para ir embora, estou me sentido enganado…”, “Vou processá-la por falsidade ideológica”, “Ela já sabe como me encontrar, se eu fugir, não vai adiantar”, “Socorro”.


Saindo das redes sociais, há uma infinidade de blogs que podem servir como “mercado”. Você ganha muito mais linhas para conhecer a pessoa desejada, sentimentos mais profundos, divagações mais íntimas. Pode, inclusive, inserir comentários nos posts, cuja assinatura a levará à sua página, na qual haverá a mesma riqueza de informações sobre você. O ponto negativo dos blogs é que, na maior parte das vezes, existem menos fotos pessoais postadas. Se a sua exigência física for meticulosa, talvez não seja a melhor ferramenta. Pode funcionar muito bem para amantes da literatura, escritores, cronistas, jornalistas, pessoas que se encontram nas letras.

Se bem que apenas fotos também não fazem verão. Falemos, por último, das redes sociais baseadas em imagens, como Fotolog, Flickr, Picasa e outras na mesma linha. Elas terminam por funcionar melhor como ferramentas de apoio para as outras já citadas. Escolher um pretendente pela foto que ele posta, principalmente se for algo entrópico, como um cachorro dormindo em uma calçada, é arriscado demais. Não é recomendável, a menos que esteja em busca de aventura e disposto a novas experiências.

A conclusão é que a possibilidade de encontrar um/a namorado/a na Internet 2.0 é um dos presentes da tecnologia para os solteiros conectados. Mas, na hora de traçar o plano estratégico, todos devem se ater ao mesmo manual de qualquer relacionamento: analisar direitinho os prós e os contras.


PEQUENO MANUAL DO CYBERXAVECO
Saiba o que fazer e o que não fazer para atrair o sexo oposto do mundo virtual para o real


SIM
– Na dúvida, participe de mais de uma rede social e descubra qual tem seu perfil.
– Se estiver à procura de alguém, habilite para que pessoas de fora do seu círculo de amizades também possam visualizar suas fotos.
– Peça dicas de perfis interessantes a seus amigos. A rede é grande e sair clicando em busca da alma gêmea pode demorar anos.
– Entre em comunidades relacionadas ao seu público de interesse. Participar nos debates também pode chamar a atenção para você na multidão.
– Crie um blog, se você tem algo relevante a dizer, ou abra uma conta no Flickr, se você tira boas fotos. Mostre como você é legal, inteligente e sensível ao mundo. Alguém, uma hora, vai cair nessa.

NÃO FAZER
– Não minta nas informações sobre você, isso aumenta suas chances de encontrar alguém realmente compatível.
– Saiba onde está pisando. Nunca deixe de checar as opções “commited, namorando, casada/o” no perfil do seu alvo.
– Não vire um stalker da pessoa desejada. Saber tudo sobre ela só vai assustá-la em um possível encontro de verdade.
– Evite colocar fotos de biquíni, sunga ou em situações muito íntimas. Mesmo que tenha um corpão, pode ser visto/a como exibido/a demais. Além disso, há o risco de interpretação. Mostrar sua barriga de tanquinho pode atrair mais membros do mesmo sexo que do oposto.
– Caso esteja atrás de mais de uma pessoa ao mesmo tempo, não deixe mensagens muito públicas em todos os perfis. Não queira parecer um franco-atirador.
– Fotos de quando era criança em seu perfil podem ser fofas, mas dão a sensação de que foi a última foto boa que tirou até hoje. Se quiser incluí-las, coloque uma recente, também.




Pois bem meus caros, nesses tempos de namoros virtuais quentíssimos, a paquera do tipo olho no olho está cada vez mais difícil de acontecer. Por timidez, por comodismo ou até preguiça de buscar um parceiro, homens e mulheres têm preferido ficar bem protegidos atrás do computador. E que de fato, é ridículo!

A príncipio pode parecer mais seguro e gostoso escrever uma cantada no Messenger do que tentar atrair o olhar de quem está a meio metro de distância. Mas com o tempo, essa prática virtual vai esfriando um dos grandes prazeres da vida: se encantar por alguém e tomar a iniciativa do contto direto, aproveitando o calor do momento. Porém, cada um sabe o que quer da vida e o que dela pode aproveitar. Sorte a todos!
Eli Amorim.

1 comentários:

♥Lidi Dimbarre♥ disse...

Eli, adorei o post, arrebentou na publicação!
Mas você está certíssima, neste avanço tecnológico virtual têm-se vários caminhos para burlar a realidade, mas nada melhor do que o olho no olho para mostrar quem você é, como você é, nada melhor do que se aceitar com é e seguir a vida, fazendo amizades reais, mostrando-se realmente.
Personagens não são mais nada do que meros personagens, pessoas estas que vivem na surdina!

Beijão amiga, adorei, ou melhor... aadoro seus textos dona loira dos olhos verdes! kkk

Beijão

 
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