Mostrando postagens com marcador Desconfiañça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desconfiañça. Mostrar todas as postagens

11.2.10

Baile de máscaras...


O Baile de Máscaras
Data 18/05/2007


Era um salão velho. Quase tão velho como a mais velha das pessoas no salão. Quase tão velho como a cobardia que o ergueu.
De tão velho que está treme-lhe o chão e as paredes ao som da música. Ao som daquela música que ecoa nas paredes velhas e trêmulas do salão. Daquela música que não se ouve, mas que contagia toda a gente. Por ela todos dançam…Todos dançam a mesma dança, não podem sequer dançar outra, mas cada um dança para uma direção diferente, no mesmo salão de todos, a mesma dança de todos…É nesse salão que estou perdido, afastado num canto, a olhar de olhos bem abertos todos eles que dançam à minha volta. E eles dançam de olhos fechados.

Todos têm máscaras. Máscaras de baile, de baile de máscaras, máscaras brancas ou pretas, máscaras brancas e pretas, máscaras tristes e alegres, ou tristes, ou alegres, máscaras de ouro, máscaras de jóias, máscaras de madeira, máscaras valiosas, máscaras simples, máscaras de todas as tonalidades de cinzento, máscaras de todas as formas e feitios… Mas todas máscaras.

No meio de todas procuro também saber da minha, então levo as mãos à cara e dirijo-me a um espelho escondido, já que todos os outros bailarinos do salão, embora se enxerguem claramente, são espelhos alterados, de forma a que se alguém abrir os olhos se vê a si mesmo da maneira como mais se deseja ver. Esse pequeno espelho, inútil para os outros, mostra a minha face nua.

Detenho-me então no salão. Todos dançam menos eu, assim como a máscara que não tenho é única entre todos. Todos dançam aquela música que outrora foi ouvida por mim, que outrora foi dançada por mim, mas que por força da minha loucura foi esquecida. Esqueci a música que já não ouço e a dança que já não danço.

Olhando em meu redor percebo que já não tenho nada a fazer neste baile de máscaras. Ainda tento desesperadamente abrir os olhos a alguns dos mascarados mas eles não me conhecem sem máscara, por isso empurram-me, com medo, antes de observarem novamente o salão pelos espelhos e tornarem a fechar os olhos.

Acabo rapidamente por desistir de tentar mostrar algo que ninguém quer ver, de tentar dar o dom da visão a quem é cego por opção, então dirijo-me para o imponente pórtico que me leva à saída deste baile de máscaras, empurro a pesada e maciça madeira e abraço o exterior.Lá dentro nem se apercebem de que algo aconteceu. Não se apercebem do milagre que ocorreu quando alguém perdeu a sua máscara.

O salão continuará perfeito aos seus olhos.A música continuará a ser ouvida e a dança continuará a ser dançada.


Fonte: Luso Poemas


P.S. Bom carnaval a todos!!!

28.7.09

Ciúmes e Desconfiança!!!



É fundamental notar que a desconfiança esteja sempre à procura de um motivo real onde se instalar e, de fato, nem precisa ser tão real assim: basta ser plausível e pronto! Ela se instala!!!
Primeiro, se faz imperativo ressaltar que, esta fantasia de segurança que DEPENDE do outro para se tornar efetiva, não é segurança real, pois depende do Outro para existir. De fato, em realidade, para o desconfiado/inseguro típico, não importa o que o Outro faça para evita-la, pois a Insegurança estará sempre presente, à espera de um motivo, já que ela não depende de um motivo real, pois emana do EU.
Vice-versa, poderíamos dizer que a Confiança e a Segurança são qualidades energéticas, ou seja, são algo que a gente ENTREGA, pois emana do EU para os Outros, ou então não existe, de modo algum. É necessário ressaltar o aspecto radiante ou energético da confiança, do amor e da fé. Trata-se de um fenômeno energético, que tem a direção do EU para fora do EU e é projetada sobre o mundo e os outros. Aquele estado, comumente também chamado de confiança e que depende do Outro (ou do que o Outro faça!) para existir ou para se manter, em verdade, não merece este nome, pois não é confiança coisa nenhuma.
Se eu confio, não vigio, se confio não me faço um negociante da confiança ou da desconfiança do outro, não me torno um GUARDA restritivo e muito zeloso de suas posses adquiridas, não me torno um segurança, sempre pronto a cercar e garantir, sempre pronto a proibir e a cercar a liberdade do outro.
Se EU, em nome de minha Insegurança exijo provas diuturnas de que o Outro nada tenha feito para merece-la, então, de fato, de dentro de minha Insegurança, o Outro é CULPADO, a menos que PROVE O CONTRÁRIO, pois a realidade única que eu permito é a da minha DESCONFIANÇA e o Outro, na verdade, não é levado em conta, e sim, desconsiderado e desrespeitado em sua Individualidade, poder de escolha e liberdade. Aí está a raiz psicológica da Democracia aplicada ao campo dos relacionamentos interpessoais.
Para o Inseguro e Desconfiado, o Outro, de fato, nem existe como dimensão psicológica. Ainda que sua existência física e sua presença não possam ser negadas, para o desconfiado/inseguro a percepção psicológica da existência real do Outro ainda não aconteceu, pois a partir de sua imaturidade ele(a) não se relaciona com o Outro e, sim, com o espelho de si mesmo, através de julgamentos, explicações convenientes, condenações, preconceitos, pré-julgamentos de todo tipo, assunções de valor moral e, principalmente, uma imensidão de carimbos moralistas sobre a testa alheia com conotações negativas: Você me trai! Você não é confiável!.........
E assim por diante..........É particularmente revoltante conferir que o desconfiado/inseguro (homem ou mulher) não se altera mesmo diante dos mais infundados motivos. O fato é que ele(a) é insensível ao Outro. O fato é que ele(a) não vê na realidade nada além do que ele mesmo cria, nada além daquilo que ele, de forma doentia, quer ver no Outro (sempre o pior, sempre o mais negro, sempre o mais terrível).


Ele só vê no outro o espelho de seu íntimo, nada mais, pois nunca tem a visão real da outra pessoa já que sua guerra é com os seus sentimentos negativos e com a projeção indiscriminada e inconsciente destes sentimentos sobre o Outro. Sua guerra é com a dependência estrita e estreita que ele nutre, todos os dias, com relação a estes sentimentos negativos e depressivos.
É como se ele(a) (desconfiado/inseguro) dissesse, o tempo todo, para o Outro: Por favor, não me faça isso!!!! Não me traia!!! Não me abandone!!! Não me rejeite, nem me passe pra trás!!! Eu sofreria tanto se isto me acontecesse que acho que seria capaz de perder a cabeça e fazer uma loucura! Quando, de fato, já é uma loucura fazer o que faz, do jeito que faz...
Excetuando-se os casos em que o desconfiado/inseguro se depare com alguém realmente indigno de confiança e traidor, todas as outras possibilidades, que ele teve, de confiar, serão inapelavelmente desperdiçadas, pois ele não pode se dar ao luxo de confiar: é correr riscos demasiados... é dar a arma pro bandido!!! é demonstrar ingenuidade!!!
Sua imaturidade e sua baixa auto-estima não se remediam em absoluto por esforços de guardar e proteger possessivamente ao Outro; nem se apequena diante de um companheiro(a) que não lhe dê motivos e que se esforce, sabe Deus quanto, para não lhe causar este tipo específico de sofrimento.
Ele vive em uma fantasia negativa e suas projeções inconscientes sobre a Realidade mascaram tanto o que ele vive que, não demora, ele pode já não distinguir o imaginado por ele do real. Sua única chance é procurar ajuda especializada para vencer seus muros de autodefesa e parar, então, de atravancar sua vida de relação (especialmente a conjugal) com seu medo da repetição de um passado possivelmente conflitivo e até traumático.
O testemunho do Outro vale muito pouco, nestas horas negras, pois a desconfiança não permite entrega, não baixa a guarda e o temor engole, em seus subterrâneos mais profundos, todo e qualquer sentimento positivo que se podia nutrir na cena de ciúme e traição que o desconfiado/inseguro constrói.
Ele se parece com um diretor de cinema que sempre vê o mesmo filme, a mesma cena... e, de fato, não importa se ela é ou não real, pois, mesmo que não o seja, ainda assim parece possível (e plausível) aos seus olhos (tornados míopes pelos filtros impiedosos de seus sentimentos negativos)...
O desconfiado/inseguro tem de reconhecer que está (por assim dizer) possuído por sentimentos negativos e que, em função deste fato, vive dando voltinhas sem abordar, de frente, a questão. Se ele(a) não é mais capaz de exercer sua escolha ou sua liberdade nesta questão, justifica-se a necessidade da ajuda especializada.
Uma coisa é certa: Ninguém sofre mais com o ciúme e a insegurança, do que o próprio ciumento/inseguro. Trata-se de um grande desperdício de energia e de vida! Quem sofre tanto com este problema faria por bem ocupar-se mais (atentar) para aquilo que ele(a) ENTREGA no relacionamento, e menos, com aquilo que ele(a) RECEBE.
Há uma grande responsabilidade envolvida naquilo que ENTREGAMOS nas relações com os Outro, pois existem cargas letais para um relacionamento legítimo e o Ciúme e a Insegurança são, sem dúvida, dois tipos de influências muito nocivas.
Assumir a responsabilidade pelo que ENTREGAMOS nos faz retomar o foco em nós mesmos (e naquilo que emana do EU), assim como nos faz parar de criticar tanto ao Outro, como se ele fosse o nosso obstáculo de plantão na jornada/caminhada na direção da felicidade e da plenitude.

Luis Vasconcelos.
 
↑Top