21.5.09

Romance


O romance é um dos templos sagrados que enfeitam a paisagem da vida humana. É transformador e curativo, quando abordado com reverência, mas sempre potencialmente perigoso, quando abordado com menos do que isso. Nossa tendência é não ter humildade perante o amor, é desprezá-lo em vez de nos curvar para ele, é por considerações mundanas na frente da necessidade emocional para manter alguém nos nossos braços. Quantos já pagaram um alto preço por sua superficialidade perante o amor...

Como um castelo circundado por uma floresta cerrada e impenetrável, um amor encantado é tão ameaçador quanto convidativo. A floresta está repleta de dragões mágicos que assaltam os transeuntes descuidados. Não é qualquer pessoa que passa pelos portões daquele castelo, brinca dentro do pátio e sai viva. É preciso ser um príncipe para abrir caminho na floresta e enfrentar os dragões. Então, mesmo que tenha coragem para fazer isso, tem de encontrar a princesa adormecida e beijá-la de modo tão especial que a desperte. Só pode fazer isso, se estiver com sua espada e seu escudo. Do contrário, os dragões do amor irão mastigá-lo e cuspi-lo e a princesa lamentará que mais uma vez alguém tentou salvá-la, mas não conseguiu.

É lá que a maioria de nós, príncipes e princesas, geralmente está, como milhões de soldados ingênuos cantando, no começo da guerra, pensando que vai ser fácil e depois voltando para casa em sacos de plástico. Essa é nossa história mental do amor. Sentamos então aos pés de amigos e conselheiros, chorando e gemendo, o que eu fiz de errado? Ninguém nos disse que precisávamos de uma espada. Ninguém mencionou que precisávamos de um escudo. Ninguém nos ensinou os místicos elementos básicos. Na verdade, não sabíamos que existiam.

O amor é uma jornada de herói e a jornada de herói é um caminho nobre, mas difícil. Reconhecendo isso e o tratando como tal, concede-se ao amor a grandeza e o poder que ele merece. O amor é uma atividade diurna tanto quanto noturna e exige que nos tornemos criaturas do dia e da noite. Cada parte do que somos é exposta para revisão, para que nos desfaçamos de tudo o que é pesado e baixo dentro de nós e possamos reclamar o que é leve e alto. O romance, então, torna-se um míssil espiritual, tirando-nos de onde estávamos e levando para onde devemos ir.

Onde estávamos? No escuro. Para onde vamos? Para a terra do sol. A intimidade estende os braços agora para seu elemento natural, unindo os corações, formando um campo de força de luz suficientemente brilhante para afastar a escuridão do mundo.

Deus nos dá novos olhos, novos ouvidos, novos corações e novas mentes. Precisamos deles, se quisermos aprender a amar de verdade. Os olhos do corpo nos mostram coisas maravilhosas, de quadros a crianças, à natureza. Porém, são também vulneráveis aos truques, a dança fantasmas que forma o caleidoscópio do mundo físico. Outro mundo, para o qual Deus nos entrega, espera-nos outro lado da nossa ilusão. O amor encantado vai nos levar até lá.

Quando o amor é alegre, é sublime. Quando ele machuca, é devastador. Quando é verdadeiro, é duradouro. Quando é encantado, é milagroso. Esse reino agora chama o mundo todo, e amantes encantados com novos olhos, sensatos e inocentes, proclamam sua existência e anunciam seu endereço.


Eli Amorim.

1 comentários:

Pêjotinha' disse...

´quanto ao seu comentário eli. é mesmo pena o amor puro estar tão longe da realidade e este amor de agora se subjugar a tudo :X é lamentável.

 
↑Top