27.5.09

Carta ao desconhecido...


♥Meu querido,

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com péssimo humor, e, por favor, antes de me beijar... Permita que eu escove os dentes primeiro. Prefiro assim. Toque muito em mim, mas toque mesmo, principalmente nos cabelos e minta sobre minha irresistível beleza.
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, não ligue toda hora, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas de loira e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais.

Viaje antes de me conhecer, conheça os lugares comigo também, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo, te garanto isso! Palavra de escoteira!
Acredite sempre nas verdades que digo e também nas pequeninas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, não insista, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).
Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... Gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros e releiam-os. Odeie a vida doméstica e adore os agitos noturnos, adoro dançar, e dançarei pra ti também, quantas vezes quiser...
Seja um pouco caseiro mas não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês, mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca... Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer filhos, me carregar para a missa, apresentar sua família... Isso a gente vê depois... Se calhar... Deixa eu dirigir o seu carro, aquele mesmo que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos, amizade é sempre bom.

Não me conte seus segredos... Deixe que eu os adivinhe... Faça-me massagem nas costas. De preferência aquela tailândesa... Não fume, beba comigo aquele vinho depois do jantar, chore, eleja algumas contravenções. Rapte-me! Se nada disso funcionar... Experimente me amar!

Beijos,

Seu amor mais que inconstante.




[Texto Original de Martha Medeiros]

P.S: Fiz algumas modificações, para deixar bem à la Eli ♥.

2 comentários:

♥Lidi Dimbarre♥ disse...

Ficou bem a sua cara amiga, lindo texto!

Beijão

***Eli Amorim*** disse...

Obrigada Lidi!!!
Modifiquei algumas coisas...mas não quis perder a essência original do texto.

Bjos...

 
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